U-3 e U-6: qual é a diferença entre as taxas de desemprego?
Entenda como a taxa oficial de desemprego U-3 difere da medida mais ampla de subutilização do trabalho, a U-6.
Neste guia1. Em resumo: U-3 mede o desemprego; U-6 observa um quadro mais amplo
Resumo breve
A U-3 é a taxa oficial de desemprego dos Estados Unidos: o número de pessoas desempregadas dividido pela força de trabalho. A U-6 amplia o escopo ao incluir pessoas marginalmente ligadas à força de trabalho e trabalhadores em tempo parcial por razões econômicas. O denominador também muda, então a U-6 não é simplesmente a U-3 acrescida do número de trabalhadores desalentados.
1. Em resumo: U-3 mede o desemprego; U-6 observa um quadro mais amplo
O Bureau of Labor Statistics (BLS) publica diferentes medidas de subutilização do trabalho com base na Current Population Survey (CPS). A U-3 é o indicador normalmente chamado de “taxa de desemprego” nas notícias. A U-6 busca captar uma situação mais ampla: além de quem está desempregado pela definição oficial, inclui pessoas que querem trabalhar, mas não procuraram emprego ativamente nas últimas quatro semanas, e quem trabalha em tempo parcial por razões econômicas.
Não se trata de uma taxa correta e outra errada. Elas classificam grupos distintos e usam denominadores diferentes. A U-3 responde que parcela da força de trabalho está desempregada segundo os critérios da CPS. A U-6 inclui também algumas formas de trabalho não plenamente utilizado. As [definições do BLS para as medidas U-1 a U-6]({source:blsCpsConcepts}) ajudam a delimitar cada categoria.
2. Quem entra nas estatísticas da CPS
A CPS é uma pesquisa mensal com domicílios. Sua população de referência é a população civil não institucionalizada de 16 anos ou mais. Essa população serve de base para várias estatísticas da CPS, mas não é o denominador da U-3. O denominador da U-3 é a força de trabalho, formada por pessoas ocupadas e desempregadas. Em geral, quem não trabalha e não atende aos critérios de busca ativa fica fora da força de trabalho.
Na CPS, uma pessoa costuma ser classificada como ocupada quando realizou pelo menos uma hora de trabalho remunerado ou no próprio negócio durante a semana de referência, trabalhou pelo menos 15 horas sem remuneração em uma empresa operada por um familiar, ou estava temporariamente afastada do trabalho. É considerada desempregada se não trabalhou naquela semana, estava disponível para trabalhar e tomou medidas concretas para procurar emprego nas quatro semanas anteriores. Há uma exceção para quem foi temporariamente dispensado e aguarda ser chamado de volta. O [guia do BLS sobre como o desemprego é medido]({source:blsGovernmentMeasuresUnemployment}) explica essas classificações.
Receber seguro-desemprego não é requisito para ser classificado como desempregado na U-3. O BLS não se limita a contar pedidos de benefício: uma pessoa pode atender aos critérios da CPS sem receber seguro, e o recebimento, por si só, não define a classificação na semana de referência. Por isso, pedidos de seguro-desemprego e a taxa oficial não são medidas intercambiáveis.
3. A fórmula da U-3 e a primeira ampliação na U-4
A fórmula da U-3 é:
U-3 = pessoas desempregadas ÷ força de trabalho × 100
Como o denominador é somente a força de trabalho, pessoas que querem trabalhar, mas não procuraram ativamente emprego recentemente, não entram no numerador nem no denominador da U-3. A U-4 amplia ambos ao incluir trabalhadores desalentados: pessoas que querem trabalhar e estão disponíveis na semana de referência (exceto em caso de doença temporária), procuraram emprego nos últimos 12 meses ou desde o fim do último emprego, se ele terminou dentro desse período, mas não nas últimas quatro semanas por um motivo ligado ao mercado de trabalho.
Se D representar o número de trabalhadores desalentados, a fórmula da U-4 é (desempregados + D) ÷ (força de trabalho + D). Os desalentados são um subconjunto das pessoas marginalmente ligadas à força de trabalho. Assim, a U-4 é mais abrangente que a U-3, mas ainda não inclui todo esse grupo marginalmente ligado.

4. Da U-5 à U-6: quem é acrescentado
A U-5 inclui todas as pessoas marginalmente ligadas à força de trabalho, inclusive os desalentados. Elas não estão trabalhando, querem trabalhar e estão disponíveis para começar na semana de referência (exceto em caso de doença temporária); procuraram emprego nos últimos 12 meses ou desde o fim do último emprego, se ele terminou dentro desse período, mas não nas últimas quatro semanas. Não são classificadas como desempregadas na U-3 porque não atendem ao critério de busca recente. A U-5 acrescenta todo esse grupo ao numerador e ao denominador.
A U-6 acrescenta mais um grupo ao numerador: quem trabalha em tempo parcial por razões econômicas. Em geral, essas pessoas trabalharam de 1 a 34 horas na semana de referência porque tiveram a jornada reduzida, enfrentaram condições econômicas desfavoráveis ou não conseguiram encontrar uma vaga em tempo integral. Para quem costuma trabalhar em tempo parcial, também é necessário querer e estar disponível para trabalhar em tempo integral. Essas pessoas já estão empregadas e, portanto, não são acrescentadas ao denominador da U-6. A [Tabela A-15 do BLS, com as medidas U-1 a U-6]({source:blsAlternativeMeasuresTable}) reúne as definições.
A ilustração conceitual sem texto deste artigo separa o grupo contado na U-3 dos grupos adicionais considerados na U-6. Ela não apresenta números nem dados atuais do mercado de trabalho.
5. Exemplo hipotético: calculando da U-3 à U-6
Considere um exemplo fictício com força de trabalho de 600 pessoas: 576 ocupadas e 24 desempregadas. Fora da força de trabalho, há 18 pessoas marginalmente ligadas, das quais 7 são desalentadas. Entre as 576 pessoas ocupadas, 12 trabalham em tempo parcial por razões econômicas. Todos os números servem apenas para mostrar as fórmulas; não são dados atuais do BLS.
| Medida | Cálculo hipotético | Resultado |
|---|---|---|
| U-3 | 24 ÷ 600 | 4,0% |
| U-4 | (24 + 7) ÷ (600 + 7) | cerca de 5,1% |
| U-5 | (24 + 18) ÷ (600 + 18) | cerca de 6,8% |
| U-6 | (24 + 18 + 12) ÷ (600 + 18) | cerca de 8,7% |
As 12 pessoas em tempo parcial já estão incluídas nas 576 ocupadas. A U-6 acrescenta essas pessoas ao numerador porque seu trabalho está subutilizado, mas não as adiciona novamente ao denominador. Já as 18 pessoas marginalmente ligadas estavam fora da força de trabalho da U-3; por isso, U-5 e U-6 acrescentam esse grupo ao numerador e ao denominador. Essa diferença de tratamento produz taxas distintas.
6. Por que a diferença entre U-6 e U-3 não é apenas o número de desalentados
A diferença entre as duas taxas não é a contagem direta de um único grupo. A U-6 inclui todas as pessoas marginalmente ligadas, não apenas os desalentados, e também acrescenta quem trabalha em tempo parcial por razões econômicas. Além disso, seu denominador aumenta com todo o grupo marginalmente ligado. Como numerador e denominador mudam ao mesmo tempo, a diferença entre as taxas não pode ser lida como “a porcentagem de trabalhadores desalentados”.
As categorias também representam situações diferentes. Pessoas marginalmente ligadas não estão trabalhando e não procuraram emprego ativamente nas últimas quatro semanas; trabalhadores em tempo parcial por razões econômicas têm um emprego. A U-6 reúne esses grupos com as pessoas desempregadas para medir um conceito mais amplo. Isso não quer dizer que todas sejam desempregadas no mesmo sentido nem que enfrentem a mesma dificuldade.
7. Leia U-3 e U-6 junto com outros indicadores
A U-3 é útil para acompanhar a parcela da força de trabalho que está desempregada segundo os critérios da CPS. A U-6 acrescenta contexto sobre quem interrompeu a busca recentemente e sobre quem trabalha menos horas do que gostaria. O escopo mais amplo não torna a U-6 uma medida completa de dificuldade econômica nem a melhor resposta para toda pergunta. Ela não mede salário, estabilidade do emprego, situação familiar ou compatibilidade entre trabalho e qualificação.
Dois outros indicadores ajudam a contextualizar: a taxa de participação na força de trabalho é força de trabalho ÷ população civil não institucionalizada de 16 anos ou mais; a razão emprego-população é pessoas ocupadas ÷ essa mesma população. Como o denominador da U-3 é apenas a força de trabalho, a taxa de desemprego pode cair quando algumas pessoas param de procurar e deixam a força de trabalho, mesmo sem aumento da razão emprego-população. Observe os indicadores em conjunto, sem esperar que um único número responda a tudo.
8. Como comparar divulgações e entender os limites
Os números da CPS são estimativas de uma pesquisa amostral, portanto as estimativas mensais têm incerteza estatística. Uma pequena variação não prova que toda a população mudou exatamente daquela forma. O BLS pode atualizar estimativas ou controles populacionais. Antes de comparar períodos, confira a data da divulgação, a semana de referência e as notas da tabela. O [Manual de Métodos da CPS do BLS]({source:blsCpsHandbook}) descreve a pesquisa e suas limitações.
Compare também dados com o mesmo ajuste sazonal: ajustados com ajustados ou não ajustados com não ajustados. Dias úteis e padrões sazonais podem distorcer comparações feitas em bases diferentes. Não coloque uma U-3 ajustada sazonalmente ao lado de uma U-6 sem ajuste como se os números fossem diretamente comparáveis.
Use a U-3 para responder sobre a taxa oficial de desemprego e a U-6 quando a pergunta também incluir parte das pessoas marginalmente ligadas e o trabalho em tempo parcial por razões econômicas. São leituras estatísticas diferentes, não previsões, medidas completas de bem-estar ou contagens de beneficiários do seguro-desemprego. Para comparar outros indicadores econômicos, veja também PIB nominal e real, CPI, PCE e deflator do PIB e risco de opções em torno do FOMC, CPI e relatório de emprego.
Perguntas frequentes
Q1A U-6 é a taxa oficial de desemprego dos Estados Unidos?
Não. A U-3 é a taxa oficial normalmente divulgada. O BLS publica a U-6 como uma medida mais ampla de subutilização do trabalho. Ela inclui pessoas que não são classificadas como desempregadas na U-3, como parte de quem quer trabalhar, mas não procurou recentemente, e parte de quem trabalha em tempo parcial por razões econômicas.
Q2Trabalhadores desalentados entram na U-3?
Não, se não procuraram emprego ativamente nas últimas quatro semanas. Pelas definições do BLS, eles fazem parte do grupo marginalmente ligado à força de trabalho, que é acrescentado nas medidas U-4, U-5 e U-6. Trabalhadores desalentados são um subconjunto desse grupo, não uma categoria separada de todas as pessoas marginalmente ligadas.
Q3É preciso receber seguro-desemprego para entrar na U-3?
Não. A classificação na U-3 depende das respostas da CPS sobre trabalho, disponibilidade e busca ativa, ou sobre a espera de retorno após uma dispensa temporária. Receber benefício não é requisito para ser classificado como desempregado, e o benefício, por si só, não define a classificação na CPS.
Fontes e leituras adicionais
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