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Empréstimos DeFi12 min de leitura

Como funcionam os empréstimos cripto em DeFi: garantia, LTV, fator de saúde e liquidação

Entenda como uma garantia em cripto sustenta um empréstimo DeFi, por que o LTV difere do limite de liquidação, como a Aave calcula o fator de saúde e o que pode alterar uma posição antes da liquidação.

Neste guiaComo funciona um empréstimo DeFi com garantia

Resumo breve

Um empréstimo DeFi com garantia permite que a pessoa que toma o empréstimo bloqueie criptoativos aceitos por um protocolo e obtenha outro ativo usando-os como garantia. A posição pode ficar arriscada mesmo sem uma nova transação da pessoa: o preço da garantia pode cair, a dívida pode crescer com juros ou os parâmetros do protocolo podem mudar. LTV, limites de liquidação e regras do fator de saúde variam conforme o protocolo. Por isso, um número exibido no painel só faz sentido quando você sabe como aquele mercado o define.

Como funciona um empréstimo DeFi com garantia

Em um empréstimo sobrecolateralizado, a pessoa deposita um ativo elegível em um protocolo de empréstimo e recebe outro ativo como dívida. Enquanto a dívida estiver aberta, a garantia fica sujeita às regras do protocolo. Em geral, ela não pode ser retirada livremente se isso deixar valor insuficiente para sustentar o empréstimo. Depois do pagamento da dívida e dos juros acumulados, é possível retirar a parte da garantia que não seja mais necessária para proteger outra posição em aberto.

Isso é diferente de um empréstimo sem garantia: o protocolo não depende apenas de uma promessa de pagamento. Ele depende de uma garantia que pode ser vendida, tomada ou usada de outra forma conforme as regras de liquidação se a conta deixar de cumprir os requisitos. A Aave descreve seu modelo de empréstimo V3 como sobrecolateralizado e exige que o usuário deposite garantia antes de tomar empréstimos. A Compound III também aceita ativos de garantia compatíveis para definir a capacidade de empréstimo, mas usa fatores diferentes em sua contabilidade e no desenho da liquidação.

O protocolo não considera automaticamente todo saldo da carteira como garantia. O ativo precisa ser aceito naquele mercado específico, e talvez seja necessário habilitá-lo como garantia na conta. Rede, mercado, contrato do token e versão do protocolo fazem diferença. Um token com o mesmo ticker em outra blockchain pode não ser o mesmo ativo nem ter os mesmos parâmetros de risco. A introdução à Aave V3 explica o fluxo de depósito e empréstimo; o guia de status da garantia explica que um saldo depositado pode ser habilitado ou desabilitado para uso como garantia.

O LTV da posição não é o mesmo que o limite do protocolo

Loan-to-value, ou LTV, é a relação entre o valor da dívida e o valor da garantia. Uma forma simples de descrever a posição é:

LTV da posição = valor atual da dívida ÷ valor da garantia elegível

Se uma conta tem uma dívida de US$ 1.000 lastreada por US$ 2.000 em garantia elegível, o LTV da posição é 50%. Se a dívida permanecer igual enquanto a garantia cair para US$ 1.500, o LTV sobe para cerca de 66,7%. O valor da dívida também pode mudar se o preço do ativo tomado emprestado variar.

O parâmetro de LTV de um protocolo costuma funcionar como limite de empréstimo na abertura ou no aumento de uma posição. Por exemplo, se um mercado hipotético permitir tomar emprestado até 75% do valor elegível de US$ 2.000 em garantias, o teto aritmético seria US$ 1.500 antes de outros limites. Esse teto não é um valor de empréstimo recomendado e não garante que a posição continuará segura depois de mudanças nos preços.

Os termos variam entre protocolos. A Aave diferencia o LTV, que restringe a capacidade de empréstimo, do limite de liquidação usado no cálculo do fator de saúde. A documentação da Compound III descreve um fator de garantia para a capacidade de empréstimo e outro fator, separado, para determinar a elegibilidade à liquidação. Ela também alerta que deixar de atender à capacidade de empréstimo não significa, por si só, que a conta possa ser liquidada. Consulte as regras específicas no guia de empréstimos da Aave e na documentação de garantias e empréstimos da Compound III.

O que pode mudar uma posição depois do empréstimo

O valor da garantia e o da dívida podem mudar de forma independente. A queda do preço da garantia reduz o valor que sustenta o empréstimo. A alta do preço do ativo tomado emprestado pode elevar o valor da dívida quando medido em uma unidade comum. Os juros também podem aumentar o valor devido, mesmo que a pessoa não tome mais empréstimos. Quando há vários ativos como garantia, o protocolo pode aplicar pesos de risco ou critérios de elegibilidade distintos para cada um.

As fontes de preço do protocolo importam, pois o contrato não necessariamente usa a última cotação exibida em uma corretora ou carteira. O mercado pode usar um valor de oráculo, aplicar regras específicas para cada ativo ou atualizar os preços em intervalos. Em períodos de grande volatilidade, os dados exibidos e o valor usado pelo contrato podem divergir. Assim, a situação da conta pode mudar entre verificações ou transações.

Algumas interfaces mostram um único número de “saúde”; outras exibem fatores de garantia, liquidez da conta ou limite de empréstimo. Esses termos não são equivalentes. Uma posição pode não permitir novos empréstimos e ainda não estar sujeita à liquidação. Por outro lado, um indicador que parece confortável a determinado preço pode piorar se o valor da garantia cair ou os juros se acumularem.

Quando há mais de um ativo como garantia, somar as quantidades de tokens não descreve o risco da conta. A Aave usa um limite de liquidação médio ponderado na fórmula do fator de saúde. Em um exemplo hipotético com dois ativos de garantia avaliados em US$ 1.000 cada e limites de 80% e 70%, respectivamente, a média ponderada é 75%, pois os valores das garantias são iguais. O valor da garantia ajustado pelo limite na fórmula é, então, US$ 2.000 × 75%, ou US$ 1.500, antes da comparação com a dívida. Os parâmetros reais dos ativos e os valores reconhecidos dependem do mercado; outro protocolo pode usar um cálculo diferente.

Um cálculo hipotético do fator de saúde

A Aave define o fator de saúde como o valor da garantia multiplicado pelo limite de liquidação médio ponderado e dividido pelo valor total emprestado. Em um exemplo com uma única garantia, suponha que uma conta deposite 2 unidades de um token ao preço hipotético de US$ 1.000 cada e tome emprestados US$ 1.000 de outro ativo. Apenas para ilustrar, suponha um parâmetro inicial de LTV de 75% e um limite de liquidação de 80%. Esses valores são inventados e não representam os parâmetros atuais de um mercado específico.

A garantia vale US$ 2.000, então o LTV inicial da posição é 50%. O empréstimo máximo calculado a partir do LTV hipotético de 75% seria US$ 1.500, antes de outras restrições do mercado. Com o limite de liquidação hipotético de 80%, o fator de saúde é:

(US$ 2.000 × 0,80) ÷ US$ 1.000 = 1,60

Agora suponha que o preço da garantia caia 35%, reduzindo seu valor para US$ 1.300, enquanto os juros acumulados elevam a dívida para US$ 1.010. O fator de saúde passa a aproximadamente 1,03:

(US$ 1.300 × 0,80) ÷ US$ 1.010 ≈ 1,03

Se a garantia cair ainda mais, para US$ 620 por unidade, seu valor total será US$ 1.240 e o mesmo cálculo ilustrativo dará aproximadamente 0,98:

(US$ 1.240 × 0,80) ÷ US$ 1.010 ≈ 0,98

Esse último valor fica abaixo de 1. A página de ajuda atual da Aave descreve um fator de saúde abaixo de 1 como uma condição de risco de liquidação para posições na Aave. O exemplo não prevê quando uma transação real será executada: preços de mercado, crescimento da dívida, regras do protocolo, atualizações do oráculo e ordem das transações também importam. A explicação da Aave sobre fator de saúde e liquidações apresenta a fórmula do protocolo e observa que não existe um valor de fator de saúde universalmente seguro.

Diagrama de um empréstimo DeFi sobrecolateralizado: a garantia sustenta a dívida, enquanto preços e juros podem aproximar a posição da liquidação
LTV, limite de liquidação e fator de saúde medem aspectos diferentes; o resultado depende das regras do mercado

O que a liquidação pode fazer com a garantia

A liquidação é uma resposta definida pelo protocolo quando uma conta ultrapassa a condição de elegibilidade. Em muitos mercados de empréstimo, um liquidante paga parte ou toda a dívida e recebe garantia conforme um bônus, desconto ou penalidade definido pelo protocolo. A pessoa que tomou o empréstimo pode perder um valor em garantias superior à dívida paga. A liquidação pode ser parcial ou total; o valor permitido para pagamento e as taxas dependem do protocolo, ativo, mercado e configuração atual.

A Aave descreve as liquidações elegíveis como permissionless: qualquer participante da rede pode enviar uma quando o fator de saúde da conta está abaixo do limite do protocolo. As regras determinam o valor que pode ser pago e a garantia transferida, incluindo eventual bônus de liquidação. A Compound III usa outro desenho. Sua documentação diferencia o fator de garantia para empréstimos do fator de liquidação e descreve um processo absorb: o protocolo toma a garantia de uma conta que ultrapassou os limites de liquidação e paga a dívida usando reservas do próprio protocolo; a pessoa que antes devia recebe valor conforme as regras do fator de liquidação da Compound. Consulte a documentação de liquidação da Compound III.

Esses exemplos mostram como dois protocolos implementam a mecânica de empréstimos, mas não descrevem universalmente todos os empréstimos DeFi. Alguns protocolos podem pausar operações, alterar parâmetros de risco por governança, usar outros caminhos de liquidação ou depender de keepers e interfaces externos. Leia as regras da rede e do mercado específicos cujo contrato manterá a garantia.

Os juros podem aumentar a dívida sem um novo empréstimo

O saldo emprestado geralmente acumula juros. A taxa pode ser fixa por um período definido, mudar ao longo do tempo ou responder à utilização do mercado, conforme o protocolo e o ativo. A Aave informa que suas taxas de empréstimo são determinadas dinamicamente por fatores como utilização e parâmetros de governança. À medida que os juros se acumulam, o componente da dívida na relação de garantia ou no cálculo do fator de saúde pode crescer mesmo que o preço da garantia não mude.

Por exemplo, se uma dívida de US$ 1.000 aumentar para US$ 1.020 enquanto a garantia elegível continuar valendo US$ 1.500, o LTV sobe de cerca de 66,7% para 68%. Esse cálculo não supõe uma taxa anual nem um período específico. O acúmulo real depende do modelo de taxas do contrato, do horário das transações, da precisão do ativo e das condições do mercado. O guia de empréstimos da Aave informa que as taxas podem variar com a utilização e que os juros começam a acumular após a transação de empréstimo.

A garantia também pode ter custos de oportunidade ou limitações operacionais. Um ativo depositado pode ficar indisponível para saque enquanto sustenta uma dívida. A Compound III informa que seus ativos de garantia não rendem juros dentro do protocolo, enquanto outros protocolos podem tratar a garantia de outro modo. Não presuma que a garantia gera rendimento, que o ativo emprestado manterá valor fixo ou que o rendimento esperado superará os custos do empréstimo.

Riscos que a relação não captura

LTV ou fator de saúde resume determinados dados de preço e dívida; não mede todas as formas de um empréstimo dar errado. Bugs em contratos inteligentes, mudanças de permissões ou governança, falhas de oráculo, congestionamento da rede, problemas com pontes ou tokens encapsulados e a perda do valor esperado do token usado como garantia ou dívida podem afetar o resultado. Uma stablecoin usada como dívida pode se afastar de sua paridade; um token usado como garantia pode perder liquidez justamente quando muitos tomadores precisam pagar ou vender.

A execução acrescenta outra camada de risco. A pessoa pode precisar pagar parte da dívida ou adicionar garantia antes de ultrapassar um limite, mas taxas de rede, falta de acesso à carteira, saldo insuficiente ou congestionamento podem atrasar a transação. Um alerta no painel não garante que ela será incluída a tempo. No sentido oposto, a interface pode estar desatualizada ou indisponível enquanto o contrato on-chain continua aplicando as regras.

A alavancagem também amplia o impacto de uma variação de preço. Tomar empréstimo usando um token volátil como garantia para comprar mais do mesmo token pode aumentar tanto a exposição quanto a sensibilidade à liquidação. Tomar um ativo emprestado usando outro como garantia pode criar um descompasso: a garantia pode cair enquanto o ativo da dívida sobe. Nem um fator de saúde alto no painel nem um grande saldo de garantia eliminam os riscos de contrato inteligente, mercado ou operação.

Leia as regras do mercado antes de abrir um empréstimo

Antes de depositar garantias ou tomar empréstimos, confira o protocolo, a rede, o mercado e os contratos dos ativos exatos. Confirme se o ativo é aceito e está habilitado como garantia, como o protocolo define capacidade de empréstimo e elegibilidade à liquidação, qual fonte de preço usa e se a métrica exibida está atualizada. Leia a taxa do empréstimo e como ela pode mudar, limites mínimos ou máximos da posição, restrições de saque, bônus ou penalidades de liquidação e qualquer processo de governança capaz de atualizar os parâmetros.

Use uma queda hipotética de preço e um aumento da dívida para entender como a posição muda; não trate o máximo que o protocolo permite tomar emprestado como meta. Verifique o que seria necessário para quitar a dívida ou adicionar garantia na prática, incluindo acesso ao ativo emprestado, taxas de rede e tempo para enviar a transação. Consulte de novo a documentação atual, pois os parâmetros podem variar por ativo e mercado e mudar após decisões de governança.

Este guia explica a mecânica dos empréstimos, não se um empréstimo é adequado para alguém nem quanto essa pessoa deveria tomar. Para a mecânica diferente das posições perpétuas negociadas em corretoras, veja o guia sobre liquidação de perpétuos de cripto. Para revisar as permissões de token que podem ser necessárias ao depositar ou pagar ativos, consulte aprovações e allowances de tokens cripto.

Perguntas frequentes

Q1LTV é o limite de liquidação?

Não. Em geral, o LTV define quanto uma posição pode tomar emprestado, enquanto o limite de liquidação define quando o protocolo pode liquidá-la. Os protocolos podem usar outros nomes e cálculos, por isso confira as definições do mercado específico.

Q2Um fator de saúde abaixo de 1 significa que a liquidação já aconteceu?

Não necessariamente. Na documentação da Aave, um fator de saúde abaixo de 1 torna a posição elegível à liquidação; ainda é necessário que um liquidante envie uma transação que siga as regras do protocolo. O momento da execução e o valor liquidado dependem do mercado e da configuração atual.

Q3Um empréstimo pode ficar mais arriscado se eu não fizer nada?

Sim. O preço da garantia pode cair, os juros podem aumentar a dívida e mudanças de governança ou do oráculo podem afetar a posição. Acompanhar os dados ajuda, mas um painel não garante que o pagamento ou o acréscimo de garantia será executado antes da liquidação.

Fontes e leituras adicionais

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